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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Angu do Gomes

Antes restrito a simpaticas barraquinhas pela cidade, o Angu do Gomes agora funciona num restaurante convencional.

Comandado pelo neto do sócio do Gomes original, a casa oferece o angu clássico, com miúdos e rabada, e opções mais moderadas, como carne moída. Ainda há também uma chance para os verdes, com o angu vegetariano, que leva abobrinha, berinjela e outros legumes.

Confesso que tive que lembrar da frase que postei outro dia aqui ("Com um garfo e uma faca na mão, eu costumo ser corajoso") para pedir o tradicional. Não sou muito chegado aos miúdos, mas a primeira vez no clássico Angu do Gomes não poderia ser diferente.

Não me arrependi. Estava simplesmente maravilhoso, muitíssimo bem temperado, uma delícia. Acompanhado por uma cerveja ou uma cachacinha, o Angu do Gomes é uma delícia, e merece o título de patrimônio do Rio.

Melhor do que isso... bom, melhor do que isso, só mesmo o Angu do Gomes depois do sambinha da Pedra do Sal. Isso porque o restaurante fica no Largo da Prainha, aonde acontece o Escravos da Mauá, e a 100m da Pedra do Sal, onde toda segunda e quarta o samba de raiz come solto.



Serviço
Angu do Gomes
Largo do São Francisco da Prainha, Praça Mauá, Centro, Rio de Janeiro
O que comi: Angu Tradicional (com miúdos e rabada) (R$9,90)
Benefício/Custo: justo

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Cia Oriental

Sempre que vou a São Paulo, seja a trabalho ou lazer, minha primeira preocupação é: onde comer?

Há algum tempo a primeira opção já é certa: o Restaurante Cia Oriental, na Liberdade. A vontade de experimentar coisas novas é grande, mas esse lugar tem algo que me atrai e sempre acabo fazendo pelo menos uma refeição por lá.

Os restaurantes japoneses da Liberdade são bem diferentes dos do Rio. Lá parece um pouco mais autêntico, com cardápios escritos em ideogramas, e alguns lugares os garçons mal falam português. Por sorte, costumam botar fotos para ajudar. O resultado prático disto é uma variedade maior de práticos típicos, fugindo dos sushis e sashimis que sempre vemos por aqui.

O Cia Oriental oferece pratos Chineses, Japoneses e Coreanos, além de Brasileiros. Não é tão tradicional quanto outros por lá, mas come-se ótimos pratos típicos por um preço muito justo.

O meu favorito é um coreano, que aparece na primeira foto (que esqueci de anotar o nome). É composto por uma bacia com diversos legumes picados, cobertos com sashimis e pedaços de algas. Acompanha um missoshiro, uma tijela de arroz e um pedaço de acelga apimentada. (Você sabia que se come acelga na Coréia do Sul? Nem eu...)

Meus companheiros de mesa pediram os indefectíveis combinados e yakissobas. Protestei, disse que era falta de imaginação, que isso podem comer qualquer hora aqui no Rio, que havia outros pratos esquisitíssimos, etc...

Pois bem, tive que dar o braço a torcer. Até nisso eles dão um banho nos nossos japas: olhem bem a cara deste yakissoba! Delícia. E, no meio do combinado, eis que surge um enrolado de salmão com gema de ovo. Nossa, inacreditável. Bela pedida.

Para finalizar, o restaurante com uma sorveteria que oferece um sorvete de gengibre sensacional.
O restaurante fica no quarto andar de uma galeria, não é o lugar mais agradável do mundo. Mas confesso que é difícil não passar lá nas minhas visitias à paulicéia.


Serviço
Cia Oriental
Rua Galvão Bueno, n. 40/44, 4 andar, Liberdade, São Paulo
O que comi: (Desculpem, não anotei nada. Só me lembro que o prato coreano lá de cima custa R$17,50)
Benefício/Custo: justo

domingo, 28 de junho de 2009

Bar Adonis



Sexta foi dia de festa no Fundão. E, como sempre, fomos almoçar fora. Mas por sorte minha, resolvemos não ir até o Nova América, e arriscamos ir um pouco mais longe: o Adonis. Apesar de bem famoso, foi a minha primeira vez, e eu estava com boas expectativas, já que só ouvira falar bem de lá.

O começo não podia ser diferente: bolinhos de bacalhau e chopp. O bolinhos estavam muito bons, no nível do Portugália; a pimenta decepcionou um pouco: parecia "daquelas", mas era bem fraquinha. Engraçado é que ela vem num pote, com a tampa furada e um canudo no furo. Para servir, tampa-se a parte superior e depois solta-se em cima do prato. Bem engenhoso...

O primeiro chopp, supostamente um dos melhores do Rio, não veio bom. Talvez porque tenhamos pedido 10 de uma vez só, e o garçon tirou sem o menor cuidado. Os chopps seguintes justificaram o título de melhor do Rio.

Era chegada a hora de pedir o prato principal. A mesa, composta por umas 15 pessoas, já veio com o intuito de pedir a feijoada; portanto, o famoso bacahau de lá fica pra próxima.

Eu me considero um cara corajoso com um garfo e uma faca na mão; entretanto, orelha e pé, NÃO! Expliquei isso pro garçon, e ele gritou pra cozinha: "São três feijoada surda e manca!". Ok. "Sem olfato, também, moço.", acrescentei.

A feijoada é bem servida, como pode ser vista nas fotos, de qualidade razoável graças ao nosso amigo gaúcho. No total, foram 3 feijoadas para 12 pessoas. Sobrou bastante carne, apesar de que desta eu senti que minha barriga se dilatou alguns centímetros. Da próxima vez, eu pediria apenas duas, com um aditivo nos acompanhamentos, que vêm em quantidade desproporcional à da feijoada.

Aliás, os acompanhamentos merecem os parabéns de pé. Não só de feijão e carnes se faz uma feijoada. A couve mineira, a farofa e o torresmo, estavam deliciosos e completaram com maestria a saborosa feijoada.

Ah, a feijoada. Que delícia! Paio, carne seca, costela... A feijoada soava com se estivesse sendo preparada há dias. O feijão e seu caldo tinham um sabor inigualável. As carnes se desmanchavam, mostrando que de fato foram cozidas por bastante tempo no caldo. Ouvi reclamações de que a costela estava seca; ora bolas, as carnes da feijoada ficam secas porque são cozidas por muitas horas; o sabor vai todo para o feijão, na minha humilde opinião, assim é que deve ser feito.

Nem preciso dizer como foi o expediente de trabalho depos desta orgia. Na verdade, a minha primeira refeição de fato foi cerca de 28 horas depois do Adonis...

Update: Destaque especialíssimo aqui para a quantidade de sal! Tinha tudo pra dar errado, mas surpreendentemente o sal estava na medida certa (pra mim). Parabéns ao Adonis; coisa rara no Rio, comer com pouco sal.



Serviço
Bar Adonis
Rua São Luiz Gonzaga, 2156, loja A, Benfica, Rio de Janeiro
O que comi: Bolinhos de Bacalhau (R$2,50), Feijoada (R$55,00, para 4 ou 5)
Benefício/Custo: bom

sábado, 20 de junho de 2009

Sabor Quilombola

Os ensaios do bloco Escravos da Mauá, que acontecem em sextas-feiras aleatórias no Centro, podem ser considerados um programa completo. Bom ambiente, boa música, cerveja gelada, cachaça, e.... ótima comida.

O evento acontece no Largo da Prainha, que fica na Sacadura Cabral, perto da praça Mauá. O palco é montado num dos cantos da praça. Ao redor, dezenas de barraquinhas oferecem cerveja, churrasquinho, salsichão, CDs, caipirinha, cachaça e tudo mais.

Uma das barracas chama a atenção. É o Sabor Quilombola. Oferecem pratinhos de R$5, incluindo frango com quiabo, sopa de ervilha, feijão amigo e o zungu. Obviamente fui no zungu, pois não fazia ideia do que fosse. Quem quiser saber o que significa Zungu, dê uma olhada aqui.

O zungu a baiana é uma mistura de angu com uma espécie de carne que não consegui identificar (!). Estava delicioso! Bem apimentado (talvez a baiana venha daí) e bem temperado, a carne era macia, e apesar de bem gordurosa, comi tudo, inclusive a gordura. Não costumo fazer isso, mas deixar comida no prato seria uma heresia, tamanha a gostosura do quitute.

A cozinha improvisada dá um charme a mais para a barraca. A simpática atendente me disse que abrirão em breve um restaurante. Sou o primeiro cliente!

Serviço
Sabor Quilombola
Arredores da Praça Mauá, Centro, Rio de Janeiro
O que comi: Zungu à Baiana (R$5,00)
Benefício/Custo: bom

domingo, 14 de junho de 2009

Almoço de Domingo - Pargo na Folha de Bananeira

Uma dica para um belo almoço de domingo. Os parguinhos custam menos de R$1 por cabeça no supermercado, quando tem. Como hoje temos boas fotos, não precisa de muito texto. Vamos lá:

O peixe em seu leito:



O molho: mix de pimentas (grãos), coentro, gengibre, limão, dedo de moça

Temperado:

Na panela de vapor:
À mesa, com arroz e brócolis:

Bom domingo!

sábado, 23 de maio de 2009

Bandeijão da UFRJ - Letras

E mesmo em tempos de Rio Restaurant Week, o DM não perde a pose e continua levando a você, leitora, o que há de melhor e mais barato na alta gastronomia estudantil de orçamento limitado.

Hoje é dia de Bandeijão. Durante anos, desde que entrei no Fundão, ouço falar da luta pelo restaurante universitário, que deveria oferecer comida subsidiada aos estudantes. O movimento enfim deu resultado e no ano passado foi inaugurado o Restaurante Universitário (RU) na Letras. Este ano inauguraram o oficial, que fica perto da EEFD. Pelo que ouvi, a cozinha ainda não está funcionando, e a comida já vem pronta. Não tem problema, vamos ao que interessa.

Após passar pela imensa fila, que assusta mas demora no máximo 10 minutos, entramos no salão lotado, e passamos por duas senhoras que verificam as carteiras de estudante e recebem a fabulosa quantia de R$2,00. Passada a catraca, funciona como uma linha de produção: pega o prato, bota na bandeija, pega potinho de salada, estende o prato, a mulher tasca arroz, tasca feijão, recolhe o prato, anda pro lado, estende o prato, a mulher tasca abobrinha, tasca carne, pega suquinho, pega sobremesa e... Ufa, acabou. Ainda meio atordoado, é preciso achar um lugar. A tarefa é complicada, e como as mesas são fixas para 4 pessoas, frequentemente acaba-se por almoçar com desconhecidos, o que pode ser bacana (ou não).

A comida, em si, é bem honesta. Achei a salada de tabule sofisticada pra um bandeijão. A abobrinha estava bem temperada, apesar de ser preparada daquele jeito que ela fica sem gosto de nada. (Mais sobre essa resmungação na nota ao final deste post aqui.) A carne, aceitávelmente macia, não estava lá muito saborosa, mas foi pra dentro. Considerando o preço de comida (a UFRJ paga cerca de $6,00 no total) e o fato de que ela é feita em enorme quantidade (800 refeições por dia), a qualidade é muito boa. O doce de leite servido como sobremesa era daqueles de lata bem vagabundos, mas tudo bem, dois reais, quem vai reclamar?

Fica só a sugestão para que se ofereça pelo menos duas opções de pratos. Mas do jeito que está, vai muito bem.




Serviço

Restaurante Universitário da UFRJ - Unidade Letras
Ilha do Fundão, Faculdade de Letras ("e de palavras inteiras também", segundo uma pixação que ficava na entrada do prédio)
O que comi: Salada de tabule com alface, arroz, feijão, abobrinha e picadinho, doce de leite, refresco de manga (R$2,00)
Benefício/Custo: bom

terça-feira, 21 de abril de 2009

Gohan

Fiquei até com vergonha por demorar tanto tempo pra ir ao Gohan. Meus amigos sempre me falavam pra ir, mas por algum motivo isso só aconteceu esses dias. E pude constatar o que eu estava perdendo...

O Gohan é simplesmente o maior benefício/custo que eu conheço hoje no Rio. Comida boa, preços ótimos, sem frescura, e cerveja gelada. O restaurante faz um estilo oriental, mas é muito mais do que isso. O balção do sushi na entrada pode levar o cliente a achar que se trata de mais um japa baratinnho por aí. Engano.


O cardápio passa obviamente pelos sushis e sashimis, mas exibe com orgulho grelhados e milanesas bem brasileiros. Além disso, oferece outros pratos da culinária japonesa que são ótimos mas ficaram esquecidos por conta do sucesso do peixe cru.

E foi aí que escolhemos nosso prato. Pedimos de entrada um tempura de legumes, e como prato principal, um bifum de lula. Bifum é um macarrão feito de arroz, muito gostoso e bem mais leve do que o yakissoba. O prato supostamente para duas pessoas custa R$29 e ainda vem com 2 missoshiros (sopa de pasta de soja com tofu) e duas sobremesas. Pois bem: dividimos por 3 pessoas, e saimos fartos de tanto comer.

A lula estava muito bem feita, nem muito mole, nem muito dura, e o macarrão muito saboroso. De sobremesa pedimos uma melancia e um doce de banana feito com açúcar mascavo, que também está ótimo. A cerveja que acompanhou a festa estava digna de nota: -10 graus na geladeira! Ta certo que a primeiro veio congelada, mas foi rapidamente trocada por uma na medida.

Enfim, palmas ao Gohan, pela excelente comida, ótimo preço cerveja gelada. E ainda fica no coração da Lapa, na rua Joaquim Silva, atrás dos arcos. Quer mais? Então vá conferir!

Serviço
Gohan
Rua Joaquim Silva 127 - Lapa - Rio de Janeiro
O que comi: Tempura de Legumes (R$8,00), Bifun de Lula (R$29, com duas sopas missoshiro e duas sobremesas)
Benefício/Custo: bom

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Albamar

É caro, mas vale cada centavo. Ao entrar no Albamar pela primeira vez me senti no auge dos anos 60, bailes no Copacabana Palace, glamour, bossa nova... A entrada já chama a atenção pelo imenso segurança. Em seguida, entra-se num elevador com capacidade para 3 pessoas: o ascensorista e mais dois. Tudo com cara de que era a coisa mais chique do mundo há algumas décadas atrás.

Ao chegar no restaurante, mesas de madeira maciça, belas taças, decoração sóbria e elegante. A vista para a baia de guanabara torna o lugar especial. Especial também o susto ao se abrir o cardápio: nenhuma sopinha por menos de R$40. Os pratos, aliás, muito bem escolhidos: tive vontade de comer cada um.

Minhas origens não me deixaram só neste momento: achei um prato que servia duas pessoas, muito apetitoso (como todos os outros) por R$72,50, o que na média dava a pedida mais barata do cardápio. Pedi achando que era uma coisa, acabou vindo outra melhor ainda. Mariscada, pela minha experiência, era moqueca com vários frutos do mar. Pelo menos foi isso que eu comi em Salvador, por duas vezes, no ano passado.

Como podem ver pela foto, nos trouxeram um lindo prato com um par de vários seres marinhos. Lagostins, camarões VG, filés de salmão, algumas lulas, polvos (pólvos?), mexilhões, enfim, uma farra. Um arroz de brócolis certeiro acompanhava o prato. Confesso que o molho pesto, esse aí do meio, ficou meio deslocado. Um limãozinho bastava. Mas como adoro manjericão, isso não chegou a ser um problema.

Ah, de entrada pedimos bolinhos de bacalhau e uma casquinha de siri, espetaculares. O restaurante é perfeito para uma comemoração especial. Fiquei com vontade de voltar só pra comer ostras e tomar uma cervejinha na mesa da janela, como ví um casal fazendo. Mas antes ainda tenho que trabalhar mais um pouquinho...


Serviço
Albamar
Praça Marechal Âncora, 186 - Centro - Rio de Janeiro
O que comi: Mariscada com arroz de brócolis e pesto (R$72,50 , para 2 pessoas)
Benefício/Custo: justo

ps: Há bastante coisa sobre a história do Albamar, que é o último prédio remanescente do mercado municipal que ali funcionava, já esteve a beira da falência, foi controlado pelos empregados e hoje está nas mãos do chef do Copacabana Palace, Luiz Incao. Vale a pena pesquisar.

Enchendo Linguiça

A primeira expedição oficial do dicasmastigadas foi ao restaurante Enchendo Linguiça, no simpático bairro do Grajaú. Há muito tempo estava curioso para conhecer este lugar, que ficou famoso pelo seu Schweinhaxe, o joelho de porco.

Antes de começar, uma pequena discussão sobre o nome. O nome mais comum para o joelho de porco é Eisbein. Na internet, achei poucas ocorrências para Schweinhaxe ou Schweinaxe. Faria sentido, pois em alemão Schwein é porco, e axe, ou haxe, deve ter vindo de achse, que quer dizer eixo, que por sua vez parece com joelho. Enfim, se alguém tiver alguma informação sobre isso, adoraria saber.

Na época de sua inauguração, falava-se que seria uma fábrica de linguiças. No entanto, disseram que apesar das máquinas já estarem instaladas, falta uma autorização de não-sei-quem para começar a produção. Fica a pergunta: se as máquinas foram compradas antes de reforma ortográfica, será que eles conseguirão fazer a linguiça? Deixa pra lá...

Vamos ao que interessa: como o intuito era conhecer o lugar, começamos pegando leve com uma porção de linguiça calabresa acebolada com pão de alho, a R$15,60. Estava bem legal, mas fico me perguntando pra que botar óleo pra fritar uma linguiça. É só jogar o bicho na frigideira e a gordura começa a sair, não precisa botar mais.

Em seguida, me interessei por uma surpresa no cardápio: o caldinho Enchendo Linguiça. Além do feijão, vem um purê de batata dentro, muito gostoso, com os torresmos e salsinhas por cima. Não vem muito misturado, achei ótima ideia.

Depois resolvemos que era chegada a hora de encarar o joelho. A piadinha no cardápio ajudou a abrir o apetite. Acompanhamos o garçom tirando o espeto de dentro da televisão de cachorro, sempre imaginando se seria o de baixo, com sua gordura e mais a de todo mundo, ou o de cima, mais sequinho. Não deu pra ver.

Alguns minutos depois, o animal chegou à mesa, sem os ossos principais, da piadinha, mas ainda inteiro. Ficamos contemplando um tempo, até pedirmos para o garçom cortar mais um pouquinho. A forma de comer, assim como o prato em si, é um tanto ancestral, com todo respeito. Cada um vai caçando o seu pedaço, tentando pegar mais carne e menos gordura, mas isso vai ficando complicado.

O ápice foi quando estava me deliciando com a casquinha crocante, e uma nutricionista que estava à mesa comentou: "O prato todo deve ter uns 80% de lipídios, mas essa casquinha é 99% com certeza!".

Naquele momento senti minhas veias entupindo, podia até ver as placas de gordura se depositando e o sangue sofrendo pra passar. Mas tudo bem. Como diria um amigo, não tem problema.

Prosseguindo, o primeiro joelho veio acompanhado de um chucrute e maionese de batatas, e no segundo incluímos uma farofinha de ovos. Tudo muito bom.

É claro que eu talvez só volte a comer isso daqui a umas cinco encarnações, mas que é bom, isso é. A carne, por ter tanta gordura, é bem macia e saborosa. O problema é que depois pesa que é uma beleza.

O joelho de porco deve ser apreciado com moderação, mas quando for apreciar, aproveite!

S
erviço
Enchendo Linguiça
Av. Eng Richard nº2 A, Grajaú, Rio de Janeiro
O que comi: Joelho de Porco (R$34,50), Linguiça Calabresa com Pão de Alho (R$15,60), Caldinho Enchendo Linguiça (R$5,60)
Benefício/Custo: justo

ps: agradeço as fotos aos amigos Gaúcho e Regis e à tecnologia bluetooth, que me permitiu pegar as fotos para o meu celular.
[update] ps2: Não posso deixar de mencionar a participação do bloco Seu Cuca é Eu, cujo ensaio em frente ao restaurante animou nossa conversa e nos fez gritar um pouco mais. Seu Cuca é Eu!

Toca do Juca

Estes dias fui visitar o mais novo integrante da rede Juca, que conta com os Bar e Boteco do Juca, na Lapa, Serafim, Tasca do Edgar e Xodó da Alice, em Laranjeiras. Sempre passo na frente, e resolvi entrar numa sexta à noite, para jantar.

Acho que este caso não se encaixa no problema das franquias. Todos os restaurantes são diferentes, do nome ao cardápio. Só recentemente eu fui saber que eram todos do mesmo dono.

As opções de comida não eram muito variadas; afinal de contas o lugar está mais pra bar do que restaurante. Fiquei tentado a pedir um lombinho com tutu, mas fui impedido, já que podia pesar um pouco. Ficamos então com o galeto simples, pra duas/três pessoas, a honestíssimos R$20,00.

A ave vem acompanhada por batatas fritas, farofa, arroz e molho a campanha. Lógico que eu tive que chorar um feijãozinho, a exemplo do que fiz no Boteco do Manolo. O garçon simpaticamente trouxe uma cumbuca, não cobrada.

O prato estava muito gostoso, o galeto estava sequinho. Não vi se tinha televisão de cachorro lá, mas se meu galeto saiu de uma dessas, então devia estar no alto. Fico pensando que o franguinho lá de baixo pega toda gordura dos de cima.

Gostei muito do lugar, e achei o preço ótimo pelo prato. Voltarei.


Serviço
Toca do Juca
da Rua das Laranjeiras, 336, Laranjeiras, Rio de Janeiro
O que comi: Galeto Simples (R$20,00)
Benefício/Custo: bom

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Conversa Fiada

Além do meu preconceito contra comida de shopping, que já foi devidamente desfiado aqui, outra categoria de restaurante não me agrada a priori: as franquias. Não sei porque, mas a sensação de padronização tira um pouco do prazer de estar num lugar. Você está alí, mas poderia estar acolá, e tudo seria igualzinho, o cardápido, o gosto, o nome do garçon. Sei lá, pode ser besteira minha, mas que eu não gosto de franquias, isso é certo. E o mais engraçado é que as classes de franquias e restaurantes de shopping muitas vezes se encontram no mesmo estabelecimento. Que coincidência, não?

A despeito disso tudo, quebrei todas as barreira e fui almoçar num domingo de sol no Conversa Fiada do Leblon. Tudo como manda o figurino de uma boa franquia: ambiente bem decorado, garçons felizes, tudo limpo e bonito. Das poucas opções de pratos (tudo bem, o lugar é um 'botequim', mais focado em petiscos), escolhemos uma picanha fatiada com acompanhamentos.

Mais uma vez, uma bela apresentação: a fatias do bicho vieram numa chapa, supostamente para ficarem quentes. Mas isso não aconteceu: em poucos minutos a carne estava gelada. Os acompanhamentos estavam ok, mas eu via a bolinha de queijo e só pensava nela sendo tirada do congelador direto para frigideira. Totalmente fake. Além disso, tinha uma televisão passando propaganda interna do bar, e toda hora anunciavam um evento musical patrocinado pela. Chama-se "Conversa Afinada". Esse pessoal tem um talento pra trocadilhos... Fico imaginando o sujeito que teve essa idéia: "Nossa, tive um GRRAAANDE insight: Conversa Afinada", disse ele, com a boa cheia.

Depois de pedir para botar as sobras numa quentinha, fui seduzido pela bela geladeira da Häagen-Dazs e resolvi pedir um potinho de sorvete pela maravilhosa pechincha de R$10. Homenageando minhas origens, escolhi o chocolate belga. Mas até o Häagen-Dazs, que já vem pronto, eles conseguiram estragar: estava completamente mole.

Enfim, não foi uma desgraça completa, mas o meu preconceito contra as franquias ganhou mais força com esse almoço.



Serviço

Conversa Fiada - Leblon
Rua Ataulfo de Paiva, 900, Leblon, Rio de Janeiro
O que comi: Picanha Fatiada para 2/3 (R$49,50), Potinho de Häagen-Dazs (R$10,00)
Benefício/Custo: ruim

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Siri da Ilha

Uma palavra para o Siri da Ilha: Fartura. Todos os pratos lá são enormes, sobretudo os risotos e moquecas.

Se é bom? Bem, o ambiente já não é muito agradável. O lugar parece uma caixa de sapatos enorme, bem grande, o que dá uma sensação de que você é apenas mais um no bandeijão. Além disso, tem um janelão com vista pra praia. Claro que isso seria ótimo, se a praia não fosse a do Galeão, com suas garças asmáticas e pombos obesos.

Sim, mas e a comida? Os pastéis de camarão da entrada são bem legais, tirando alguns que vieram com resquícios de plástico da embalagem frito. Já viram plástico frito? Forma uns padrões interessantes, uma espécie de mosaico. Já havia comido uma vez o risoto de camarão, prato chefe da casa, mas desta vez fomos de moqueca de peixe com molho de camarão.

A panela, de alumínio, veio fumegante. Lá dentro esperneavam generosas postas de namorado e camarão. Muito camarão. Mais camarão do que peixe, diga-se de passagem. O prato acompanha arroz e uma farofinha amarela muito boa. E o garçon que nos deixou em dúvida sobre se a quantidade seria suficiente para 4 pessoas, teve que levar uma boa parte de volta. Mas a comida estava boa, o peixe no ponto correto, e se fosse dividida pelo número certo de pessoas, sairia por um preço muito bom.

O maior problema é que o trabalho à tarde ficou seriamente prejudicado depois de tanta comida!




Serviço

Restaurante Siri (Filial Ilha)
Praia do Galeão, N.1, Ilha do Governador, Rio de Janeiro
O que comi: Moqueca de Namorado com camarões (R$87, para 5/6 pessoas)
Benefício/Custo: bom

Adega Portugália

Mais um na série dos clássicos. A Adega Portugália fica na parte escondida do Largo do Machado, na calçada que não é a da igreja, não é a das Sendas e não é da rua do Catete. Nem referência a rua tem, pra chegar lá só sabendo exatamente o que se quer.

E se o que ser quer é um belo bolinho de bacalhau, um dos útlimos do Rio onde se encontra bacalhau dentro, chegamos ao lugar certo. O lugar serve como bar, do lado de fora, para se tomar chopp com bolinho de bacalhau, ou como restaurante, para se pedir um prato e um bolinho de bacalhau de entrada.

Depois da entrada óbvia, o prato escolhido foi o Filé de 'Meca' com molhos (camarão/alcaparra) e arroz com brócolis , purê e batatas coradas. Confesso que fiquei desconfiado com o 'Meca', estava escrito entre aspas no cardápio. Quando o filé chegou à mesa, pensei que pudesse ser uma coisa do tipo 'compensado de peixe', dados os 2 dedos (gordos) de altura do bicho. Nunca tinha visto um medalhão de peixe assim. Mas assim que passei a faca, ví que era peixe mesmo. E tradicional de Santos, quem diria.

O prato estava bem servido e gostoso, 5 pessoas comeram fartamente dois pratos supostamente para 2. E no final vieram o 'doces prtgueses', com bastante gema e açúcar. Bons, mas caros: R$10 cada.

O último detalhe é da série "como identificar um restaurante tradicional". Já citei os artigos de revista antigos na parede e os garçons excessivamente idosos e mal-humorados . Agora reparem bem na toalha da mesa: se tiver o logo da casa, com telefone e endereço, é clássico na certa.





Serviço

Adega Portugália
Largo do Machado, 30-A, Catete, Rio de Janeiro
O que comi: Bolinho de Bacalhau (R$1,50 cada), Filé de Peixe 'Meca' ao molho de camarão/alcaparras, com purê, batata corada e arroz de brócolis (R$49,50, p/2 ou 3)
Benefício/Custo: justo

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Restaurante Escondidinho

Aposto que você salivou olhando a primeira foto. E aposto também que, se você não conhece o Restaurante Escondidinho, não vai acreditar que esta delícia saiu da porta feiosa da foto abaixo.

O restaurante é um clássico do Centro. Está lá desde 1947, assim como os garçons. (É sério: o mais "novo" tem 20 anos de casa). Como todo restaurante clássico, os garçons são mau-humorados, bem idosos, e servem o couvert rapidamente, assim que você senta, a R$4,50 cada. O couvert é até gostoso, com destaque para o pickles de couve-flor. Mas se você quer mesmo cair dentro da costela no rápido horário de almoço do trabalho, seja mais rápido do que os garçons e recuse o couvert.

Confesso que antes de chegar lá eu tinha um preconceito contra costela de boi. Muito gordurenta, eu achava. Pois é: agora eu entedi: depende de como é feito. No caso do Escondidinho, a costela vem em grandes pedaços, de modo que é muito fácil separar a gordura e ficar só com deliciosos nacos de carne que quase desmancham na boca.

O Beco dos Barbeiros, onde fica o restaurante, é uma história a parte. Uma ótima descrição da origem do nome pode ser lida aqui. Andando pelo beco, tem-se a impressão de que Machado de Assis vai cruzar o caminho a qualquer momento.

Pois é, Machado em si não apareceu. Mas quem quiser mandar um recado, peça aos garçons do Econdidinho, contemporâneos do Bruxo.


Serviço
Restaurante Escondidinho
Beco dos Barbeiros, 12A, Centro, Rio de Janeiro
O que comi: Costela de boi com farofa de ovo (R$55,00, dá pra 3 ou 4)
Benefício/Custo: justo

domingo, 18 de janeiro de 2009

Boteco do Manolo

Esse é da série 'shopping+franquia', ou seja, tudo pra dar errado. Mas o que se pode fazer? Quem estuda no fundão não tem muita opção na hora de dar uma saidinha pro almoço. Ou vai-se à ilha (Siri, Chuá), ou vai-se ao Nova América. E lá, meu amigo, não tem jeito.

A Rua do Rio até que tenta dar uma enganada. É uma praça de alimentação do shopping que simula uma rua do centro da cidade, com mesas na 'calçada', e céu 'aberto'. Mas não tem jeito: é shopping, tem ar de shopping e sabor de shopping.

Feitas as devidas considerações iniciais, até que o Boteco do Manolo não vai tão mal. Aliás, o nome já começa mal, pois lembra o clássico Manolo de Botafogo, na Bambina. Mas é claro que não tem nada a ver, Manolo só tem um.

Sempre que vamos lá, vamos em hordas. As opções para grupos são variadas, mas as duas vezes que fomos pedimos a picanha. Vem em filés, como na foto. Os acompanhamentos incluem batata frita, farofa, arroz e molho a campanha. E se você pedir, eles botam um feijãozinho. Mas tem que pedir.

A comida é boa, bem servida, se escolher o ponto da carne eles fazem direitinho. Doze pessoas comeram 3 picanhas. Claro que não saímos empanturrados, mas dado que temos que voltar ao trabalho depois do almoço, isso não chega a ser um problema.

A única decepção foi o chopp zero grau: a caneca até que veio congelada, mas o chopp mesmo estava quente. Tudo bem, não devia estar bebendo mesmo.

Dos males o menor: se você já está no Nova América, que seja na Rua do Rio, e no Boteco do Manolo.



Serviço

Boteco do Manolo
Shopping Nova América, Rio de Janeiro
O que comi: Picanha à campanha, com farofa, molha à campanha, arroz e batata frita, (R$54,00, serve 3/4 pessoas)
Benefício/Custo: justo