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domingo, 3 de maio de 2009

Especial: Visconde de Mauá

Mais uma colaboração! Muito obrigado!

Por: Professor Gargântua

Neste feriado santo, Gargântua, Pantagruel e Mme. E foram aproveitar a serra. Ao contrário do que costumam fazer, não foram para Petrópolis e as delícias do Funghi D´oro, tampouco foram para Tiradentes e as maravilhas da Beth e seu Viradas do Largo. Seguiram para Visconde de Mauá, Vila de Maringá e Maromba. Paraíso idílico, com cachoeiras e lembranças de um vida passada de Gargântua, onde rios gelados e paneladas de macarrão bastavam. Agora tudo mudou, ou quase tudo: A estrada continua a mesma.

Mme. E, com sua eficiência habitual, cuidou dos detalhes. Reserva na pousada, roteiro de restaurantes e cachoeiras, etc. Gargântua cuidou do aluguel do carro, pois se a estrada é a mesma de 20 anos atrás, seu carro não é o mesmo. Partiram na quinta-feira, com ânimo redobrado, MP3 tocando Deep Purple, Led Zeppelin e Grateful Dead, e os importantíssimos sanduíches preparados por Mme. E. Fantásticas delicadezas que a poucos se destinam.

Depois de cansativas horas de viagem, o trio chegou ao destino: A pousada Cabanas da Fazenda da D. Rosângela. Local agradável, fica após o centro de Maromba. O rio correndo atrás dos chalés era o único ruído audível, e o cheiro que vinha da cozinha prenunciava um excelente café-da-manhã para o dia seguinte. O preço baixo da pousada não reflete a qualidade, mas sim a dificuldade de acesso, já que a pousada fica quase no fim do mundo. D. Rosângela ofereceu excelente serviço com ótimo benefício/custo. Pontos para Mme. E, responsável pela escolha!

Pousada Cabanas da Fazenda
Fator b/c: Bom!

O primeiro restaurante visitado foi o do chef Mauro Jr. Nada mal, mas a carta de vinhos foi uma decepção. A carta e o cardápio foram feitos para restaurantes diferentes. Gosto não se discute, mas Gargantua tem dificuldade de harmonizar molho branco e vinho tinto, e teve que reclamar. Para não melar o arroz de Mme. E, pediu o que era praticamente o único vinho branco do restaurante: um Frascati.

Comeram:
- Truta com creme de queijo (Pantagruel)
- Truta grelhada com nhoque de batata e pomodoro (Gargântua)
- Truta com arroz a piamontese (Mme. E)
A opinião de Gargântua é que o fator b/c foi justo. As trutas estavam frescas, mas não poderia ter sido diferente, dada a região. O repasto não estava de todo mau.

Restaurante Mauro Júnior., Maringá
Fator b/c: justo


No dia seguinte a logística levou o trio a Visconde de Mauá. Com o carro alugado, Gargântua parecia um porco na lama. Não se incomodava com os buracos e solavancos, mas naturalmente cuidava do carro como se fosse (quase) seu. Para o almoço decidiram experimentar o restaurante Gosto com Gosto. Bom, mas o trio esperava mais. Um amigo de Gargântua, também de monstruoso apetite, diz que a expectativa influencia muito, mas a verdade é que o Gosto com Gosto fora apresentado como o melhor restaurante mineiro do país! Isso não é pouca coisa... Infelizmente Gargântua considera o frango uma invenção do demônio. Acha que frango é o arroz das carnes; se está muito bem feito é bom, no máximo. Gargântua acha que falta ao frango alguma gordura saturada de gordura que confere sabor àqueles que pastam, mas poupa os que ciscam. Gargântua experimentou a caipirinha de Tomarillo (foto), que também não estava ruim, mas carecia de um coador. Os caroços tornavam o ato de beber um jogo de golfe. Como Gargântua sofresse de muito calor, pediu que ligassem o ventilador, o que imediatamente congelou o tutu. Mas para salvar o dia, Gargântua foi visitar os deuses do Olimpo com a ambrosia servida. Ele não lembra, em toda a eternidade, de ter comido uma tão boa. Zeus teve inveja.

Comeram:
- Gargântua: Frango (foto). Correto, mas muito molhado. Era o prato da Boa Lembrança e como Gargântua é colecionador, não pôde evitar.
- Pantagruel e Mme E: Tutu. Correto, mas frio depois que Gargântua ligou o ventilador.

Gosto com Gosto
Fator b/c: Justo.

A noite reservava o pior. Foram ao Biroska, quiçá o pior restaurante do mundo. Quiçá não mereça ser chamado de restaurante. Tudo esquentado no microondas.
Alimentaram-se de:
- Fondue de microondas
- Salsichas alemãs frias
- Truta grelhada desfiando-se

Restaurante Biroska, nas proximidades da cachoeira do Escorrega
Fator b/c: Há algo pior que ruim? Talvez para esse restaurante seja necessária uma categoria especial.

O dia seguinte reservou ao trio a redenção: Foram ao restaurante Rosmarinus. Se na véspera Caronte preparara e servira o jantar, no Rosmarinus foi Afrodite quem lhes levou de volta ao paraíso. Deliciaram-se com:

- Carpaccio de truta salmonada. Divino. (Todos comeram)
- Medalhão de angus com fetuccine Alfredo. Correto e no ponto certo. (Pantagruel)
- Truta a Visc. de Mauá, com crosta de aveia sobre uma nata de queijo de cabra e acompanhada de purê de batata (foto).(Gargântua e Mme. E)
- A carta de vinhos brancos (novamente!) era um desastre, mas o vinho tinha um bom benefício/custo. Tomaram um Casa Rivas Sauvignon Blanc que mostrou-se correto.
- Café espresso não havia, mas passaram um no bule francês que ficou muito bom.

Rosmarinus
Fator b/c: Bom.

À noite o trio visitou a Pizzaria Zorba Budda. Mistura excêntrica de gostos e estilos, o local mostrou-se excelente desde o primeiro minuto (quando apresentaram-se as belíssimas garçonetes). O dono é simpaticíssimo e agradável, o ambiente é acolhedor, os preços são bons e o mais importante, a pizza é deliciosa. Gargântua mostrava-se atento à sua Beatriz e desviava o olhar apenas para perscrutar os cogumelos, queijos, e maçãs verdes arrumados de maneira impecável e harmoniosa sobre a deliciosa massa.

Pizzaria Zorba Budda, estrada da Maromba
Fator b/c: Bom!

O domingo os levaria de volta à casa. No caminho, resolveram conferir nova chance ao Gosto com Gosto. Comeram picanha de porco com molho de jabuticabas (foto), que estava bem feito e muito apetitoso, mas definitivamente não fez merecer, na opinião do trio, o título de melhor restaurante mineiro do Brasil. Em Tiradentes há uma mão cheia de endereços melhores.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Wielkopolska Zagroda Restaurecje

(Caros leitores, este post inaugura a seção de colaborações. Todos estão convidados a mandar as suas, no formato dos post encontrados aqui. DM agradece!)

Por: Tadeu N. Ferreira

A oeste do centro histórico da simpática Poznań encontra-se um restaurante de comidas típicas da Wielkopolska (estado ao qual Poznań pertence). Sua decoração é rústica, com temas campestres e católicos. Fui numa terça-feira à noite, e mesmo assim havia bastante gente no restaurante. A maioria casais jovens, mas também algumas famílias em grande mesas de madeira nobre. As garçonetes são muito simpáticas e atenciosas. Há cardápios em polonês e inglês, mas com uma certa deficiência na descrição em inglês para alguns pratos.

Pedi de entrada uma sopa de aspargos para quebrar a temperatura de 10 graus de uma noite de verão polonês. É bem saborosa e com uma consistência cremosa. A seguir, como prato principal, pedi uma porção de 200g de lombo de porco com molho típico da região (descrito em 4 linhas no cardápio polonês, mas em 5 palavras em inglês). A carne era macia e o molho parece madeira, porém um pouco mais ácido. Para acompanhar, pedi a cerveja Zywiec, uma red ale suave, bem melhor que a Lech, a mais popular da região.

Por fim, de sobremesa, um strudel polonês de maçã com sorvete, típico de uma região que já pertenceu aos impérios alemão e prussiano. Em comparação com o similar alemão, tive a impressão de o strudel ser um pouco menos doce e com massa mais fina. A conta veio em torno de 50 zloty, o que dá em torno de 35 reais, mais do que justo para um brasileiro, um pouco caro para os padrões de lá.

Serviço
Wielkopolska Zagroda Restaurecje
ul. Fredry 12, Poznań, Polônia
O que comi: sopa de aspargos, lombo de porco com molho típico da região, strudel polonês de maçã, cerveja Zywiec (Total: 50 zloty, cerca de R$35)
Benefício/Custo: justo

sábado, 21 de março de 2009

Especial: Paraty



















Sandubas - O começo não poderia ter sido pior. Domingo a noite, ficamos na dúvida se comíamos ou não, porque não?, resolvemos comer um sanduíche. O lugar, por fora parecia interessante. Mas por dentro era igual ao McD*n*l*ds. Aquela cozinha projetada pra fazer coisa ruim, toda em alumínio reluzente. Enfim, pedi um Mineirinho (R$4,50), sanduiche de linguiça. Estava horroso, gordurento, uma eca.
Mas o melhor de tudo foi quando sentamos à mesa: Conversa Fiada, botequim. Hãn? Entendeu não né? Nem eu....


Café Paraty - Depois de um começo nada promissor, as coisas foram se ajeitando, devagar. Muuuuito devagar. Uma hora e vinte minutos depois de sentar no Café Paraty, me foi servido o Camarão com chuchu (R$12,00), que estava bem gostoso. Aí o leitor dirá: depois de uma hora e vinte, até pedra sabão fica gostosa. E eu respondo: tem razão. No final, nem um desconto nem pedido de desculpas. Lamentável.
Pizza do Canal - À noite foi a vez das pizzas. Do forna à lenha desta pizzaria sairam verdadeiras obras de arte: Beringela, Quatro Queijos e Do Canal (R$22,00 cada). A massa fina e crocante, meio queimadinha, estava deliciosa. O destaque vai para a Beringela, com folhas de manjericão. A do canal vem com palmito, azeitona e champignon, também muito boa.

O queijo de boa qualidade e o tempero da pizza são nota 10. Altamente recomendável.

Parati 33 - E já que estamos em Parati... Eu não sou muito fão das branquinhas, mas a cachaça Maria Izabel, do tipo Gabriela (cravo e canela, e mel), R$7,00 a dose, caiu muto bem. O sabor doce é daqueles que você bebe, bebe e só sente quando levanta. Um perigo!
Depois passamos para coisas mais profissionais, como a Caminho Real (Prata), R$6,50 a dose. Bem forte, mas gostosa.
A foto artística saiu do padrão "Fotos Toscas DM", peço desculpas pelo mau-jeito. :-)
Restaurante do Netto - Uma pena eu ter esquecido a foto do prato, uma Lula grelhada com purê (R$33,00, p/ 2). O restaurante do Netto foi um dos melhores b/c de Parati. O prato, bem farto, estava delicioso. Não é fácil fazer uma lula macia, mas consistente. Destaque para o comentário do amigo suíço que mora nos EUA: "Gostei da lula porque estava chewy" (que precisa mastigar). Nos EUA tudo é feito para você não precisar mastigar."
Interessante, vai na mesma linha do confronto Filé Mignon vs Contra-Filé.
Punto de Vino - Mais uma noite de pizza, desta vez o oposto da outra. A pizza Margherita (R$31,00, 40cm, 3/4pessoas) do Punto de Vino é bem rechonchuda. Massa grossa, boa farinha, queijo farto e bastante molho de tomate. O molho estava delicioso, parecia feito lá mesmo. Um pouco puxado no sal, mas eu já cansei de reclamar disso. Nem posso culpar muito os estabelecimentos: as pessoas gostam de muito sal! E se vier com pouco, vão reclamar....
Galeria do Engenho - E se o começo foi ruim, o final foi em grande estilo. A Posta de Cavala a caiçara(R$35,00, p/2) foi a revelação de parati. Eu não me lembro da cavala inteira, mas deve ser um baita peixão. A posta era enorme, bem gorda. Quem nasce em Parati é caiçara, e 'à caiçara' que dizer com banana cozida e pirão. Uma delícia. Pra quem não entendeu a foto, o peixe está debaixo de duas bananas. E este caldinho estava muito saboroso. O acompanhamento não poderia ser melhor: cerveja teresópolis (R$9,00, 600ml), uma cerveja forte e bem encorpada.